quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

30 ANOS SEM ELIS


É até engraçado para mim,falar da Elis,porque não tive o prazer e o privilégio de acompanhar sua carreira,do início ao seu precoce desaparecimento,aos 36 anos de idade.Mas de certa maneira,conheci seu trabalho ainda criança e suas músicas estão presentes em minha vida até hoje...
Muita gente pode achar que é alucinação minha,mas eu lembro do dia de sua morte até hoje.Era uma terça-feira de verão,o dia 19 de Janeiro de 1982.Na época,eu estava com quase sete anos de idade,em férias escolares e na expectativa de que o dia 22 chegasse logo,porque naquela manhã,eu embarcaria para passar férias em São Paulo,na casa da minha avó materna.
Logo pela manhã.daquele dia 19,eu estava em casa e alguns amigos que moravam no mesmo prédio que eu,vieram me chamar para brincar.Passei a manhã inteirinha na rua e pouco antes do almoço,por volta do meio- dia ,minha mãe apareceu na janela do apartamento e me chamou para tomar banho e almoçar.Subi um tanto quanto contrariado,afinal,estávamos no melhor da brincadeira e os meus amigos ainda estavam lá embaixo;mas se não subisse,correria o risco de ficar de castigo e não descer na manhã seguinte...
Entrei em casa direto para o banho.Minutos depois,ao sair do chuveiro,chego na sala e encontro a minha mãe chorando.Olhei para ela meio assustado,sem saber o porquê de suas lágrimas,afinal eu não tinha ouvido nem o toque da campainha e nem do telefone,ou seja ,em tese,nenhuma notícia ruim poderia ter sido trasmitida.Ledo engano
Perguntei para a minha mãe o que estava havendo e ela apontou para a tv.Em carater urgente,entrou no ar um Plantão da rede Globo e a repórter estava narrando a morte da Elis.Fiquei meio congelado,ali olhando aquelas imagens...do predio onde ela morava,do Hospital das Clínicas,para onde ela foi levada...Acho que ali,naquele dia,foi a primeira vez em que tive contato com a palavra "MORTE".Como se de repente,mesmo sendo tão pequeno,criança ainda.eu tenha percebido que as coisas na vida são finitas...
Mais tarde,na hora do Jornal Nacional,eu fiquei grudado no noticiário e acompanhei todo o desenrolar da história,como jamais havia feito...Explico...Para o meu pai,o JN era quase sagrado;ele sentava no sofá depois do jantar para acompanhar o noticiário e eu,que muitas vezes,queria um pouco mais da atenção dele,tentava distrair sua atenção,cantando dançando,falando alto,enfim,fazendo tudo o que fosse possivel para que ele interagisse comigo naquele minuto.Na maior parte das vezes,acabava levando mesmo era uma bronca...E naquele dia,fiquei sentadinho,mudo,olhando as imagens da Elis,o Cid Moreira relembrando sua carreira,sua vida pessoal...E ainda posso uuvir minha mãe lamentando a perda da Elis,em especial para os filhos dela dizendo..." coitadinhos,tão pequenos para ficarem sem mãe..."
Deste periodo da morte da Elis,eu guardo duas outras memórias...a primeira é que,eu já estava em São Paulo e nas bancas de jornais espalhadas pela cidade,começavam a chegar as revistas semanais,com toda a cobertura da morte da cantora,algumas até em edição extra.como a Amiga Tv Tudo,a Veja e a Manchete.Lembro perfeitamente da capa da Manchete;a foto era a do sepultamento,o caixão com vidro,aparecendo o rostoda Elis e seu caixão enrolado na bandeira do Brasil.Peguei a revista e comecei a folhear as páginas,mas fui surpreendido pela minha tia Tuda,irmã da mãmãe,que tomou a revista das minhas mãos,sob alegação de que aquele assunto não era para crianças...Bobagem,porque eu já tinha ouvido tudo o que era possível sobre a morte da Elis.
Lembro também de sair para passear com meus pais pelo Centro da cidade e,ao passar em frente a qualquer loja de discos,ouvir sempre as músicas dela,que estavam sendo executadas...Duas músicas,até hoje,30 anos depois,quando as ouço,reavivam esta lembrança... "Para Lennon e e McCartney",do Fernando Brant  e " Maria,Maria",do Mílton Nascimento. 
Confesso ter ficado maravilhado com a pureza de sua voz,mas fiquei anos sem ouvir Elis,até mesmo por certo receio.Uma certa vez,alguem comentou que não era bom ouvir as músicas de cantores já falecidos,pois a alma da pessoa que partiu precisava descansar e eu,bem inocente,como toda criança,acrditei nisso.Só fui redescobrira linda voz de Elis na minha adolescência,fazendo um trabalho para a escola.Fiquei maravilhado,quando ouvi " Fascinação",na voz dela pela primeira vez!!
A partir daí,me apaixonei por sua voz e desde então,Eliz faz parte da minha vida em muitos momentos...Tenho uma amiga de longa data,chamada Gabriela.Quantas tardes de sexta-feira passamos juntos,na companhia um do outro,jogando conversa fora,comendo alguma coisa e ouvindo Elis...uma porção!!Gosto de todo o repertório dela,li sua biografia várias vezes  e ate hoje,volta e meia,ouço vários de seus discos,um após o outro.Os meus preferidos são o " Falso Brilhante",de 1976 e o " Elis",de 1977.Discos excepcionais,que contém músicas que se tornaram verdadeiros clássicos em sua voz,como "Fascinação"," Romaria"," Como Nossos Pais " e " Velha Roupa Colorida".
30 anos se passaram desde sua partida.Seus filhos,João Marcelo Bôscoli,Pedro Camargo Mariano e Maria Rita,também seguiram seus passos e de certa maneira,estão ligados ao universo musical...tantas vozes femininas surgiram depois disso,tantas meninas chamadas Elis nasceram Brasil afora...E eu ,vez ou outra,ao ouvir uma música bonita no rádio,me divirto,tentando imaginar como seria escutar aquela cañção na voz da Elis!!
Viva Elis!!Uma eterna estrela...E de brilho raro!!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Estamos de volta!!

Olá,meu povo!!Fiquei um tempão sem atualizar as mensagens,mas agora prometo que elas serão mais frequentes...
Um abraço para todos!!